Efeito Osborne na indústria automóvel – Parte II

A determinado ponto a indústria automóvel irá passar de uma dúzia de veículos elétricos viáveis para três dúzias de veículos elétricos viáveis. A maior parte dos novos veículos elétricos irá ter uma maior acessibilidade em termos de preço do que os actuais o que irá fazer com que a imprensa os divulga muito mais que os restantes.

Os puros elétricos não serão somente do conhecimento de nerds e outros que os utilizaram bem cedo (early adopters), serão do conhecimento geral das populações que afinal de contas existem carros muito melhores do que imaginavam e que estão ao seu alcance.

Estar à espera da versão seguinte do produto que o consumidor pretende adquirir é denominado de efeito de Osborne.

“The Osborne effect is a social phenomenon of customers canceling or deferring orders for the current soon-to-be-obsolete product as an unexpected drawback of a company’s announcing a future product prematurely.”

Podemos associá-lo à indústria automóvel e aos seus consumidores, que vão adiando a compra porque está algo fantástico para chegar. Sabe-se que estamos perante uma futura geração de veículos elétricos de grande autonomia e que como produto é largamente melhor que os veículos convencionais, “felizmente” para a indústria automóvel os consumidores não tem ainda noção disso mesmo, caso contrário estes estariam já em apuros.

A curva do custo da tecnologia

Esta curva descreve o preço da erosão do produto causado pelos avanços da tecnologia, não por descobertas científicas mas sim por um factor constante de tempo, sendo a mais famosa a Lei de Moore. A simetria da curva desta lei com a curva de custo de tecnologia proporcionam uma magia ímpar.

A curva da tecnologia é acerca de uma função que sofre um crescimento exponencial num tempo linear, é uma linha recta numa escala logarítmica. Uma curva de aprendizagem é uma curva em S que descreve as melhorias no processo de produção de um produto. Um exemplo disso é a produção do model 3 da Tesla e o pack de baterias que o equipa que com o processo em si vai ficando mais económico. No entanto convém esclarecer que as curvas de aprendizagem e as curvas de custo de tecnologia não são a mesma coisa, já que esta última é a soma de inúmera curvas de aprendizagem.

Para muitos produtos e funcionalidades existe a curva da tecnologia. Para as baterias de armazenamento de energia esta não tem sido muito similar a curva de Moore, no entanto, começa a perfilar-se cada vez mais e o tempo está a progredir linearmente no eixo X e a capacidade está a crescer logaritmicamente no eixo Y. Muitos analistas pensam que as melhorias nos preços de baterias seriam uma curva de aprendizagem combinada com economia de escala, essa correlação será um erro fundamental. Quando a Tesla através da sua Gigafactory chegou às economias de escala, e os processos de produção ficaram optimizados, no final da sua curva de aprendizagem, o preço das baterias não irão estabilizar. Irão baixar de acordo com a sua curva de tecnologia.

A curva em S

Tony Seba recebeu o crédito ao fazer da curva em S mundialmente conhecida, ao introduzir tecnologia disruptiva. Iniciando as suas apresentações com duas fotografias da fifth avenue, New York. Ora estando estas fotografias separadas por dez anos é solicitado aos que assistem para identificar o carro e na outra (mais antiga) a carruagem como exemplo de impacto de tecnologia disruptiva.

A curva em S mostra o início lento que as tecnologias tem com os chamados early adopters, com estes, a obterem a tecnologia antes dos mercados de larga escala, que por sua vez, depois vão ganhando mais percentagem de mercado, até um ponto de inflexão para posteriormente tomarem conta da totalidade do mercado. Os chamados laggards (termo técnico para os late adopters) não têm outra opção senão seguir a tendência do mercado.

Finda assim a segunda parte desta crónica e em breve lançamos a sua continuação

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