Cientistas lançam plano ambicioso para conter alterações climáticas.

Financiado pela Fundação Leonard Di Caprio e publicado na revista Springer Nature, o livro “Achieving the Paris Climate Agreement”  é resultado de um processo de investigação de dois anos desenvolvidos por investigadores da Universidade de Tecnologia de Sydney, dois institutos do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e Universidade de Melbourne.

A proposta de transição energética delineada no modelo climático One Earth exigirá um investimento global de aproximadamente 1,7 triliões de dólares ao ano. Este valor pode espantar e parecer excessivo, mas na verdade é bastante inferior aos subsídios que os governos atualmente fornecem para sustentar a indústria de combustíveis fósseis, estimados em mais de 5 triliões de dólares ao ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Isto significa que nós todos, contribuintes, estamos inconscientemente a financiar a crise climática e a comprometer o futuro das próximas gerações com os nossos impostos.

Os investigadores realizaram uma análise global e detalhada do setor energético, colocando no modelo estatístico o uso de energia à hora nas 72 redes de energia regionais até 2050, englobando dados locais de energia solar e eólica e projetando a procura de energia e a necessidade de armazenamento. Eles consideraram três cenários. Num deles, com base nas projeções da Agência Internacional de Energia, eles analisaram como o mundo poderia continuar se continuasse a depender fortemente de combustíveis fósseis e aquecer a uma temperatura apocalíptica de 5ºC. Num outro, projetaram como o planeta poderia limitar o aquecimento a 2ºC. O último cenário analisou um limite de 1,5ºC.

Para ficar abaixo dos 1,5ºC de aquecimento, diz o relatório, o planeta precisa de mudar rapidamente para as energias renováveis, alcançando a meta de 100% de uso de energias renováveis até 2050. Até 2020, precisaremos de eliminar gradualmente uma média de duas centrais a carvão por semana. Processos como o aquecimento e arrefecimento das habitações e o transporte terão que mudar para eletricidade em grande escala. O uso de energia terá também que se tornar muito mais eficiente, com a necessidade total a cair em mais de um terço.

O setor de uso da terra deve ser uma grande parte da solução climática. Infelizmente, devido ao desflorestamento desenfreado e práticas agrícolas e pecuárias industriais insustentáveis, tem havido uma emissão agravada de gases de efeito estufa. O modelo climático revela que ao proteger os ecossistemas naturais e ao eliminar completamente o desmatamento podemos, até 2030, manter a integridade dos recuperadores de carbono que são tão vitais para reequilibrar nosso sistema climático global.

Muitos receiam a perda de empregos mas a investigação sugere que uma transição rápida para a energia renovável na verdade também proporcionaria a criação de mais empregos do que o caminho dos combustíveis fósseis. Até 2050, no modelo de 1,5ºC, o mundo terá 46,3 milhões de empregos no setor de energia, contra 29,9 milhões em um cenário de 5ºC, e a um terço do custo aos constribuintes como já foi referido anteriormente.

O recém-lançado modelo climático é apenas uma parte da iniciativa One Earth, lançada pela Fundação Leonardo DiCaprio em 2017. A iniciativa baseia-se na ciência mais recente para criar uma visão para o mundo em 2050, um mundo no qual a humanidade e a natureza podem coexistir e prosperar juntos. A visão é baseada em três pilares de ação – 100% de energia renovável, proteção e restauração de 50% das terras e oceanos, e uma transição para a agricultura sustentável, tudo em 2050. Juntos, esses pilares de ação nos dão um mapa global para enfrentar a crise climática e garantir um futuro sustentável para todos os habitantes da Terra.

Mais informação em: One Earth Climate Model.

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